Nascemos em Rosário (Argentina) em 2016, como a primeira plataforma de videoconsultas da Argentina, com um objetivo claro: aproximar o atendimento médico das pessoas por meio de uma tela. Hoje, com presença na Argentina, no Brasil e no México, revisitamos os desafios que enfrentamos, o que aprendemos e o modelo de saúde que queremos construir.
Há dez anos, realizar uma consulta médica por videochamada parecia algo incomum, distante da rotina das pessoas. Em Rosário, na Argentina, uma equipe de empreendedores da área da saúde decidiu que isso poderia mudar. Hoje, a doc24 opera na Argentina, no Brasil e no México e trabalha com cerca de 200 clientes, contando com software próprio e uma equipe médica e de profissionais de saúde própria.
Ao longo dessa década, quase tudo mudou: a forma como as pessoas buscam atendimento, o que as organizações esperam de um benefício de saúde e o papel da tecnologia no cuidado cotidiano. O que não mudou foi a convicção que nos guiou desde o início: melhorar o acesso à saúde com proximidade, qualidade e cada vez mais antecipação.
Nossos começos: quando a telemedicina era uma ideia nova
Quando a doc24 surgiu, a telemedicina era uma prática pouco conhecida e, para muitos, difícil de imaginar. A necessidade, por outro lado, era muito concreta: longas distâncias, demora para conseguir uma consulta e prontos-socorros sobrecarregados com atendimentos que poderiam ser resolvidos de outras formas.
Em entrevista, perguntamos a Pablo Utrera se ele imaginava que chegariam a esse cenário quando começaram o empreendimento:
“Olhar para trás e ver o que construímos nesses dez anos é perceber que não foi exatamente o que imaginávamos lá em 2015, quando começamos a conversar sobre essa ideia. Chegamos muito mais longe. Não imaginávamos que construiríamos esta empresa e tampouco vemos este momento como um ponto de chegada. Sabemos que é um ponto de partida e que ainda temos muito a construir.”
A trajetória: novos mercados, novos desafios
A chegada ao Brasil, em 2019, aconteceu por meio de um dos nossos clientes mais importantes na época, uma empresa de assistência ao viajante que nos pediu para levar o serviço ao país.
“Foi realmente um desafio, porque o marco regulatório era mais restritivo do que na Argentina naquele momento. É um mercado muito competitivo e com muitas oportunidades de crescimento. Tivemos a sorte de conseguir montar uma equipe que já conhecia o mercado, o que nos permitiu entrar no país”, destacou o CEO.
A pandemia colocou a telemedicina no centro das atenções. O que durante muito tempo foi visto como uma solução emergencial começou a fazer parte do dia a dia de milhões de pessoas. Para os fundadores, também foi o momento de se perguntarem o que viria depois.
Como empresa, foi um período de reorganização, de ampliação dos recursos para o atendimento médico e o suporte, e de desenvolvimento ágil para responder às demandas dos clientes.
“Crescemos de forma exponencial, superando os desafios operacionais, e esse foi um momento decisivo para traçarmos novos objetivos”, destacou o entrevistado.
Mais adiante, com a experiência de expansão que já haviam adquirido, voltaram seus olhares para o mercado mexicano, em 2022.
“Fiquei sete meses no México com minha família para estruturar a operação, entender a cultura e as particularidades locais, formar equipes e construir relacionamentos”, relembrou Utrera.
Atuar na Argentina, no Brasil e no México nos ensinou que não existe um produto único que funcione da mesma maneira em todos os lugares. Também nos mostrou a importância de oferecer uma proposta de valor capaz de se adaptar às necessidades de cada mercado.
Nosso maior aprendizado: entender o momento e se adaptar
Durante a conversa, Utrera compartilhou os principais aprendizados que teve nos primeiros anos da empresa:
“Para mim, foi um processo de aprendizado total, talvez porque tenha empreendido muito jovem e tenha evoluído muito mais no meu estilo de liderança do que precisado desaprender. Acho que o mais importante é entender o momento que a empresa está atravessando.
O primeiro passo foi construir a equipe empreendedora: precisávamos de profissionais de tecnologia e de referências médicas. Depois, era necessário encontrar o modelo de negócio que nos permitisse concretizar essa visão de melhorar o acesso à saúde. Em seguida, precisávamos dar conteúdo e consistência à operação, sustentando-a com um serviço de valor que realmente funcionasse.
Quando conseguimos isso, chegou a hora de pensar em escalar o negócio. E isso exige fortalecer a equipe e acompanhar os fundadores ao longo dessa jornada.”
Outro aprendizado importante foi reconhecer a tempo a mudança de paradigma na saúde:
“Durante décadas, a saúde investiu quase tudo em atender quem já havia adoecido. O verdadeiro salto não está em tratar melhor a doença, mas em conseguir que as pessoas se mantenham saudáveis”, enfatizou Pablo Utrera.
Foi dessa perspectiva que surgiu a evolução da Wehealthy, nossa plataforma de bem-estar inteligente voltada para organizações. Ela combina nossos serviços de telemedicina com um plano de bem-estar personalizado e um painel de métricas e insights que permite identificar sinais de alerta precoces e planejar intervenções mais eficientes.
A próxima década: um cuidado mais inteligente, personalizado e integrado
Ao perguntarmos sobre sua visão para os próximos anos em termos de produto, Pablo Utrera imaginou o seguinte cenário:
“Penso na experiência que queremos proporcionar aos nossos pacientes. Acredito que eles buscam uma experiência menos fragmentada, na qual possamos oferecer um acompanhamento contínuo ao longo da vida, atuando na prevenção e no bem-estar, estando disponíveis quando precisarem de uma consulta e ajudando-os a navegar pelo sistema de saúde, tanto no ambiente digital quanto no presencial, reunindo documentos, exames e prescrições em um só lugar.”
Dez anos depois, olhamos para o caminho percorrido e seguimos trabalhando para aprimorar a experiência de saúde e bem-estar das pessoas, buscando responder a uma pergunta essencial: como podemos nos antecipar às necessidades e cuidar melhor?
É isso que nos impulsiona a continuar crescendo, usando a tecnologia como meio para aproximar a saúde de quem precisa.


