Toda vez que um profissional pede demissão ou falta ao trabalho por mais de duas semanas, a maioria das empresas registra o evento na planilha de RH sem investigar a causa. Salário, chefia despreparada, falta de perspectiva de carreira e cultura organizacional seguem entre os motivos mais citados para o desligamento.
O que quase nunca entra nessa conta é a saúde física e mental: não porque ela seja a única causa de turnover e absenteísmo, mas porque é a causa que ninguém mede.
A saúde mental por trás dos números de afastamento
Em 2025, o Brasil bateu um novo recorde: mais de 546 mil afastamentos do trabalho foram concedidos por transtornos mentais e comportamentais, uma alta de 15% em relação a 2024, o segundo recorde histórico em apenas dez anos. Ansiedade e depressão lideraram as concessões, somando juntas quase 300 mil licenças no ano, e o custo desses benefícios para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já é estimado em R$ 3,5 bilhões.
Esse recorde não é um evento isolado: é o resultado acumulado de cargas de trabalho crescentes, metas pouco realistas e ausência de monitoramento contínuo da saúde dos times. Para o gestor de RH, cada número da estatística representa uma cadeira vazia, um projeto atrasado e, na maioria dos casos, um turnover que poderia ter sido evitado com identificação precoce.
Quanto mais tarde a empresa detecta o desgaste de um colaborador, mais caro fica o desfecho, seja um afastamento prolongado, seja o desligamento voluntário de alguém que a companhia investiu tempo e recursos para formar.
O custo real do turnover para a operação
A rotatividade elevada tem preço definido. Repor um colaborador pode custar entre 50% e 200% do salário anual dele, somando recrutamento, seleção, treinamento e a perda de produtividade durante a curva de aprendizagem. O Brasil já figura como o país com a maior taxa de turnover do mundo, 56% acima do patamar pré-pandemia, segundo levantamento baseado em dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Em escala nacional, o impacto da rotatividade ultrapassa a casa das centenas de bilhões de reais por ano em despesas trabalhistas e perda de produtividade.

Absenteísmo e presenteísmo: a ponta visível de um problema maior
No Brasil, empresas do setor de serviços registram uma taxa média diária de 5% de colaboradores ausentes, número que pode chegar a 10% em segmentos como o varejo, segundo levantamento da Levee publicado pela revista Exame. Esse número, porém, conta apenas parte da história.
Boa parte da perda de produtividade acontece com o colaborador presente fisicamente, mas operando abaixo da capacidade por causa de dores, ansiedade ou exaustão, o chamado presenteísmo. No Brasil, cerca de 20% da força de trabalho perde pelo menos 7,5 horas semanais de produtividade por condições de saúde não tratadas.
Juntos, absenteísmo e presenteísmo formam um iceberg de perda de eficiência operacional que raramente aparece em relatório algum, até que o turnover expõe o problema publicamente e o RH precisa explicar, tardiamente, uma queda de indicadores que já vinha se desenhando havia meses.
NR-1: a gestão de riscos psicossociais deixou de ser opcional
Desde maio de 2025, a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) exige que toda empresa com empregados regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) inclua os riscos psicossociais no GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). O prazo de adaptação educativa terminou: a partir de maio de 2026, a fiscalização passou a ter caráter plenamente punitivo.
Na prática, sobrecarga de trabalho, assédio moral e metas inalcançáveis agora precisam ser mapeados com o mesmo rigor técnico aplicado a riscos físicos e químicos. Ignorar essa exigência expõe a empresa a autuações e, em investigações do Ministério Público do Trabalho, a passivos ainda maiores. Para entender como a legislação de saúde mental no trabalho impacta a rotina das empresas, vale a leitura sobre a lei de saúde mental no trabalho e a NR-1.
Monitoramento contínuo: a virada de chave contra turnover e absenteísmo
A boa notícia é que a gestão de riscos psicossociais e a redução do turnover partem da mesma solução: dados de saúde em tempo real. Quando o RH acompanha indicadores de bem-estar da equipe de forma contínua, consegue agir semanas antes do afastamento, não depois dele.
É exatamente esse o papel do Wehealthy, plataforma de saúde corporativa da doc24, que acompanha a saúde física e mental dos colaboradores e transforma esses dados em alertas acionáveis para o RH, antes que o afastamento se torne inevitável.
Dados como ponto de partida para reverter o quadro
Turnover e absenteísmo não são problemas de clima organizacional isolados, são sintomas mensuráveis de saúde negligenciada. As empresas que tratam esses indicadores como dado estratégico, e não como estatística de RH, saem na frente tanto na conformidade com a NR-1 quanto na retenção de talentos.
O caminho começa com visibilidade sobre o que está acontecendo com a saúde da equipe antes que o problema vire desligamento ou afastamento. Fale com a equipe doc24 e descubra como transformar dados de saúde em decisões que reduzem turnover e absenteísmo antes que eles aconteçam.

